Luis Frechiani

Por Luis Frechiani

Mestre em Economia e Professor. Diretor do Instituto de Excelência em Relações Comercias e Internacionais (INCERI). Consultor de projetos na PHD Tecnologia em PEAD e na Odrill Engenharia, atuando nos setores de Saneamento, Petróleo e Gás.

Por Luis Frechiani

Mestre em Economia e Professor. Diretor do Instituto de Excelência em Relações Comercias e Internacionais (INCERI). Consultor de projetos na PHD Tecnologia em PEAD e na Odrill Engenharia, atuando nos setores de Saneamento, Petróleo e Gás.

O Sonho de Trump

No dia 03 de novembro, Trump se recolhe para os seus aposentos e, bastante cansado da maratona eleitoral, senta-se na cadeira e adormece profundamente. Acorda na madrugada e observa os principais jornais digitais e as mídias sociais e se assusta com a principal manchete:

ONU e os Estados Unidos da América assinam acordo para distribuir dólares no mundo. Jornal XYZ, por Luis Frechiani & Renata Frechiani (21/01/2021)

A crise sanitária atual levou o Presidente dos EUA, Donald Trump, a esta inédita iniciativa, cuja data escolhida para iniciar a operação foi o dia 11 de setembro de 2021. Com o intuito de mostrar para a humanidade o espírito altruísta do Presidente Trump e dos Estados Unidos da América, a distribuição de dólares tinha como objetivo distribuir renda e reduzir as desigualdades sociais no planeta. No dia D, todos os pilotos de aviões e helicópteros* das bases militares dos EUA e da ONU, abastecidos de dólares, estavam preparados para decolar e jogar dinheiro nos países e locais estrategicamente escolhidos para cumprir a mais importante missão militar norte americana. Após cumprirem a sua missão, os aviões regressaram às suas bases para comemorarem o sucesso da operação. 

No dia seguinte, a população mundial se considerava relativamente mais rica e os habitantes dos diversos países passaram a ter comportamentos diferentes.

Nos países mais pobres, em função da elevada propensão marginal a consumir, todo os dólares recolhidos foram direcionados para o consumo de alimentos, roupas e outros bens de consumo que não possuíam, ativando a economia dos seus países e elevando o volume de importações, que na sua maioria, vinham dos países emergentes e dos países ricos.

Nos países emergentes, o comportamento dos habitantes foi um pouco diferente. Os mais pobres gastaram tudo que arrecadaram consumindo mais alimentos. Uma parte da classe média também consumiu toda a sua renda em bens de consumo duráveis e não duráveis, enquanto a outra, endividada, optou por saldar as suas dívidas. Já os mais abastados, aplicaram o dinheiro recolhido. As economias dos países emergentes, por conta deste aporte de dólares, também apresentaram crescimento econômico e elevação das suas importações de alimentos e bens de consumo duráveis.

Nos países ricos, os japoneses pouparam todos os recursos recolhidos enquanto na Europa e Estados Unidos, parte foi poupada e o restante gastos em bens de consumo duráveis e turismo. Enquanto isto, os economistas do governo dos Estados Unidos da América e do Federal Reserve Board (FED) começaram a observar que, após esta injeção de dólares na economia mundial, o comércio internacional se expandiu significativamente, enquanto a cotação da moeda norte americana caía substancialmente em relação às principais moedas do mundo. Ao mesmo tempo, os preços, em dólares dos produtos Made USA, das commodities (alimentos, metais e petróleo) aumentaram significativamente. O fantasma da inflação começou a aparecer e o Presidente Trump, assustado, acorda e diz:

“Que pesadelo! E melhor jogar bombas”.

*Este artigo é uma ficção econômica, mas o termo helicopter money foi inspirado num artigo publicado na década de 60 pelo economista Milton Friedman, prêmio Nobel de Economia em 1976.

O artigo publicado é de inteira responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam as idéias ou opiniões do site EMDIAES.

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