Rachel Poubel

Por Rachel Poubel

Bacharel em Direito, Administradora, Terapeuta para Mulheres, Hipnoterapeuta e Organizadora do Movimento Mulher de Identidade. INSTAGRAM: @rachel_poubel

Por Rachel Poubel

Bacharel em Direito, Administradora, Terapeuta para Mulheres, Hipnoterapeuta e Organizadora do Movimento Mulher de Identidade. INSTAGRAM: @rachel_poubel

Mulher de ID - O que o cabelo da mulher esconde

Muitas mulheres acreditam e vivem como se a feminilidade estivesse apenas no cabelo. É como se somente o cabelo fizesse com que ela fosse mais bonita e sensual. O problema é que, fazendo isso, a mulher se prende a conceitos e modas que vêm e vão.

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Quando a certidão de casamento é um decreto de proibições

Veja se você já ouviu a seguinte expressão: "quando eu era solteira, eu fazia isso e gostava tanto... Agora não posso, pois sou casada". Quantas vezes percebeu alguém soltando essa pérola?

Problemas como esse são, muitas vezes, invisíveis aos olhares da sociedade já viciada na opressão contra mulher. Esse abuso pode ocorrer nas mais simples cenas, como sair para jantar apenas com uma amiga, sem o marido; sair para tomar um café; fazer uma caminhada sozinha, ouvindo uma música para relaxar, dentre outras atividades. Fazer algo sozinha, para muitas mulheres, parece algo distante e, muitas vezes, nunca sequer cogitado.

Parece que, depois do casamento, não se adquire uma certidão, mas sim um decreto de prisão, afirmando que ali a mulher só pode sair se levar o marido ou o filho junto. Agora me diz: quantas vezes você ouviu de algum marido que a esposa pode sair, porém precisará levar as crianças junto, ou parentes? Pode parecer um absurdo, mas esse tipo de frase é ainda recorrente em diversas famílias.

O casamento, em diversos casos, deixa de ser apenas um relacionamento e vira um cárcere para a mulher. Ela perde, muitas vezes, o direito de ir e vir sozinha. Ainda é raro, em várias cidades brasileiras, ver mulheres casadas viajando sozinhas, ou aproveitando um lazer apenas dela. Em capitais, fala-se que isso está ficando comum. Mas o Brasil não é feito apenas de metrópoles e grandes capitais. Enquanto muitos pensam assim, existem mulheres sofrendo essa situação.

Eu sou uma mulher casada, com convicção. E faz anos que eu viajo sozinha para diversos lugares. Apesar disso, ainda continuo sendo questionada sobre o porquê, o motivo de eu querer viajar sozinha. "Nossa! Meu marido nunca iria deixar", afirmam algumas mulheres que veem meu dia a dia. E confesso que esse verbo me deixa bastante incomodada, talvez por toda a vida. O verbo “deixar”.

Quando o marido "deixa" realizar alguma atividade, é porque alguém lhe pediu permissão para deixar. Quando o marido "deixa", é porque tem o poder de deixar ou não, a mulher teve que pedir permissão para tal. Dessa forma, é fácil ver não mais uma relação de companheirismo, mas sim de subordinação, limitação da liberdade. Isso porque a mulher fica presa aos mandos do marido.

Se você é mulher e vivencia essa situação, quero que faça agora uma reflexão. Você pensa assim? Já deixou de fazer alguma coisa por pensar dessa forma? Sente-se jocosa quando se percebe em tal contexto? Independente de tudo isso, de como se sente, o importante é que, pelo menos uma única vez, você já tenha pensando "não, eu não posso aceitar isso, não posso agir assim". Esse é o início do seu basta. Seja uma mulher de identidade e continue seu processo de liberdade. Se você percebe hoje essa prisão, precisa começar a expandir sua consciência e retomar sua liberdade. Se necessário, busque ajuda terapêntica. Você tem direito de fazer coisas que são só suas, com sua privacidade de ser humano livre, e não escravo.

Assuma que tem suas necessidades pessoais. Isso não é ruim, é humano. E, ao lado dos desejos que possui, tome as rédeas da sua liberdade. Antes livre, mesmo que sem saber ainda como agir, do que presa sem ter como decidir o que saber e como se sentir.

RACHEL POUBEL
Terapeuta para Mulheres, organizadora do Coletivo Mulheres de Identidade




Quando o casamento não tem mais felizes para sempre

Mulher, hoje quero chamar sua atenção para o casamento. Quando os casais se unem em casamento, fica aquele ar romântico, de viverem felizes para sempre, quase um conto de fadas. O problema é que os contos de fadas param ali, na frase final "e viveram felizes para sempre". Mas vamos agora para a vida real.

A vida da mulher com o marido não para nessa última frase, não é como nos contos de fadas. Existe a rotina, o dia a dia, os filhos, e o tempo vai passando. Ou o casal se acostuma um com o outro, ou haverá grandes conflitos.

Muitas vezes, os casais não estão mais felizes, mas se passaram 10 ou 15 anos desde o casamento, vieram os filhos, uma vida foi construída… E agora? Eles sabem que já não se sentem mais felizes juntos. Mas ficam naquela cobrança: "eu casei e não foi para me separar".

Ouvi, certa vez, a história de uma amiga casada que dizia ter chegado em casa e encontrado uma peça de roupa de outra mulher. Ela trabalhava boa parte do dia e chegava tarde da noite. Ao questionar o marido, ele desconversava, disfarçava, e a situação ia se repetindo. Ela sempre dizia ter certeza de que estava sendo traída. Afirmava que ele não estava mais ajudando a pagar as contas de casa, além de outros comportamentos ruins. Mas sua frase mais danosa era "eu casei pra viver pra sempre, não foi pra me separar".

Ela procurou conselho na igreja, nos amigos, em livros, mas nunca encontrava uma certeza do que fazer. Até que o tempo passou e, sem mais limites, ela ouviu do marido a seguinte frase: "você quer ficar comigo? Eu não vou mudar. Eu não vou fazer nada diferente do que eu venho fazendo". Foi o estopim. Ela decidiu se separar.

Mesmo decidida, ela continuava falando para si mesma que não queria se separar, que casou para viver para sempre. Ela estava prisioneira do preconceito contra mulher divorciada, presa na crença de que o casamento tem a obrigação de ser para sempre, mesmo que destrua a mulher. Sim, lutar pelo seu casamento é importantíssimo, porque é família. Mas há momentos que o murro em ponta de faca machuca, fere e até arranca os dedos.

O limite é até perder a própria identidade para sustentar a relação. Muito antes disso acontecer, você precisa perceber a gravidade do que está vivendo e não permitir o pior. Fique atenta aos sinais. Mas, principalmente, peça ajuda, porque nem sempre conseguimos ver o que está à nossa frente. E não por culpa nossa, de forma alguma. Mas sim pelo bombardeio que sofremos todos os dias, geração após geração, de preconceitos, discriminações e imposições de limitações que não nos permitem enxergar. Aproveite que os tempos mudaram e mude você também, antes que você perca seu bem tão precioso, que é sua identidade.


RACHEL POUBEL
Terapeuta para Mulheres, organizadora do Coletivo Mulheres de Identidade.

Dia das Mães com alfinetadas na vida real

A mulher é um ser tão forte que é a única capaz de gerar outra vida humana. Essa fortaleza é tão marcante que, dentre os vários outros dias do ano, ser mãe merece sempre uma homenagem. Diria mais: merece o reconhecimento e o respeito de toda a sociedade, todos os dias.

Carregar uma outra vida por nove meses é também sinal de amor e humilade, não apenas por aquele pequeno ser que irá nascer, mas também à dádiva vida que continua nossa história.

Contudo, se não bastassem os obstáculos biológicos, ser mãe ainda é contar com dúvidas e sabotagens de vários membros da sociedade. São lutas diárias que ainda precisamos vencer. Sei disso, tenho duas filhas, gêmeas.

Empresas que não contraram mães, assédios sofridos pelas solteiras, demissões após a licença maternidade, desrespeito ao atendimento prioritário de lactantes, fuga do genitor, dentre vários outros. Os desafios do dia a dia vão muito além de amamentar ou de cuidar dos filhos por ser um pilar forte do núcleo familiar.

E não para por aí: quando casada, espera-se que a outra pessoa, também pilar do núcleo familiar, faça seu papel igualmente compartilhado. Mas quando não faz, recai sempre sobre a mãe o peso de fazer terceiro ou quarto turno ao chegar a casa.

O Dia das Mães, portanto, muito além de servir para lembrar amor, carinho ou flores perfumadas, é também para tomarmos consiência da forma como tratamos as mães de nossa sociedade. De como, muitas vezes, elas sofrem violências diárias em todas as esferas sociais, desrespeitos pela condição de mãe, privações de liberdade pelas responsabilidades não compartilhadas em casa, dureza no mercado de trabalho pelo preconceito da maternidade e, por fim, nossa conivência com tudo isso, como se fosse algo normal.

Se você nasceu, você teve mãe. Se você é mãe, sabe do que estou falando. Então seu papel agora é avigorar esse discurso de força e lutar por quem você é, reforçar sua identidade. Seus filhos lhe agradecerão. Mas se você não é mãe, faça parte dos que ajudam a realmente fazer o Dia das Mães ser todos os dias, e não daqueles que só atrapalham aquela que nos gerou vida. Tenha gratidão, mas também consciência.

Ouça:

 

Rachel Poubel 
Terapeuta para Mulheres e organizadora do Coletivo Mulheres de Identidade

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