412 02/08/2020 às 15:48 - última atualização 22/08/2020 às 12:36

Coluna: Machado | “Crítica literária” sempre foi de natureza jornalística.”

Por Joacles Costa

Redação Em Dia ES

O carioca, escritor e Dr. Lino Machado, tem experiência na área de Letras, atuando principalmente em Literatura Portuguesa
Machado Crítica literária sempre foi de natureza  jornalística
Saudações Renovadas 

O que parece

Estou num ponto de ônibus
ou da vida
esperando o próximo
oxigênio passar.
Exagero, claro,
como quem aguarda o terremoto
que faça em frangalhos
aquele formigueiro
no quadrado de grama da calçada.
(texto retirado de ESCAMANDRO- poesia tradução crítica)

O escritor e Dr. Lino Machado nasceu no Rio de Janeiro em 28 de Março de 1957. Tem experiência na área de Letras, atuando principalmente em Literatura Portuguesa. Além de vários artigos, publicou os livros: As palavras e as cores, sobre Carlos de Oliveira (1999), Sob uma capa (2010), Entre dois vetores (2014) e Viés-cegueira (2020) – este três últimos, volumes de poesia.
  
O autor espera que, ao seu modo, o leitor encontre nos textos a si mesmo (ou parte importante de si) e o que lê impulsione a ir em frente, enxergando a existência como um todo, de maneira não unilateral, ou seja, vendo o mundo não apenas nos seus aspectos negativos, que, muitas vezes, se destacam demais, lamentavelmente. 

Entrevista com o autor:
 
Joacles Costa: Quais são os seus livros publicados ?

Lino Machado: De poesia Sob Uma  Capa e Entre Dois Vetores. De análise e teorização literária: As Palavras e As Cores.

JC: Quais são os autores que te dão inspiração? 
LM: Muitos. Na poesia, destaco Gregório de Matos, Manuel Botelho de Oliveira, Cláudio Manuel da Costa, Castro Alves, Cruz e Souza, Augusto dos Anjos, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, João Cabral de Melo Neto, Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Paulo Leminski (em especial), Cacaso, Ana Cristina Cesar e – entre os vivos – Augusto de Campos. A este acrescento – em termos de mais novos – Antônio Risério, Nelson Ascher, Ricardo Aleixo e Arnaldo Antunes. A meu modesto ver, cada um destes nomes já é um clássico.

Joacles: Escritores locais tem mais dificuldade de serem conhecidos?
Lino: Há autores capixabas reconhecidos no seu próprio território e mesmo além dele. Três exemplos: Reinaldo Santos Neves, Waldo Motta, Bernardette Lyra.
Como o que se chama “crítica literária” prossegue desaparecendo, não tenho ideia, infelizmente, do que se possa fazer a respeito. Deixo claro: “crítica literária” sempre foi de natureza  jornalística, não podendo ser confundida com “teoria literária”, mais de caráter universitário, a qual, por sua vez, vem perdendo espaço para os chamados “estudos culturais” ou “multiculturalismo”, em muitas instituições superiores de ensino.     

Joacles: O que você mudaria na indústria  produtora de livros ?
Lino: Eu buscaria publicá-los em combinação com Editoras conhecidas (caso estas topassem). O Estado do Espírito Santo colocaria uma pequena parte das edições em bibliotecas públicas e/ou de escolas, somente. A maior parcela das edições seria remetida para as livrarias do Brasil, não só do Espírito Santo. De saída, seria lançado um Edital, aberto a todas as Editoras Nacionais, para que apresentassem as suas propostas de coedição. Não existiria, portanto, competição da iniciativa pública com a privada, mas cooperação. (Ocorreria, sim, competição entre as Editoras privadas, com o propósito de participarem do processo, com as melhores propostas.)
Em termos econômicos, precisaria haver extrema transparência na situação, para não ocorrer o horror do superfaturamento – que mesmo na área da saúde se nota, em plena pandemia.

Joacles: É possível sobreviver somente da poesia?
Lino: No Brasil (e em vários outros países) pouquíssimos sobrevivem com literatura. Quem quiser ser poeta e/ou prosador necessitará contar com as suas próprias convicções, a sua própria libido, além de sorte etc.

Leitura Em Dia
O que você está lendo?  “Leio fragmentariamente, ou melhor, sobre vários assuntos ao mesmo tempo. Quase sempre, estou abordando poesia e “outra coisa” – principalmente de ciências naturais”.

Revisão de Texto: Max Maciel Pereira Reis

O artigo publicado é de inteira responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam as idéias ou opiniões do site EMDIAES.
 
 
 

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